Amigo de verdade

Uma raça encantadora, que chega a dar a sua vida em defesa da família, o Boxer é usado como cão policial em vários países do mundo. Entre suas principais características destacam-se a lealdade, inteligência, equilíbrio, dedicação e a personalidade brincalhona

Quem tem um Boxer sabe o quanto é fácil se apaixonar pela raça. Carinhoso, inteligente e extremamente brincalhão, ele está sempre disposto a acompanhar seu dono em longas caminhadas e até mesmo na prática de exercícios como corridas e natação. Mas, embora cative os adultos com toda essa disposição, é com as crianças que ele faz o maior sucesso. Os apertões e as brincadeiras infantis são recompensados com muita paciência por longas lambidas e babadas. Estas qualidades o fazem parecer incansável, pois até mesmo durante as horas de lazer se mantém sempre atento a possíveis ameaças.

De porte médio, os exemplares da raça apresentam o corpo forte e robusto. O pêlo curto facilita muito a criação doméstica, diminuindo o trabalho do dono com asseio. Mas é preciso atenção na hora do banho: a tendência da raça em desenvolver reumatismo exige que os pêlos sejam secos cuidadosamente.

Para quem procura um bom guardião e, ao mesmo tempo, um cão dócil, fiel e dedicado, o Boxer pode ser uma excelente escolha. A única exigência na criação é que haja espaço suficiente para que ele se exercite diariamente.

Caráter: É da maior importância e ponto de maior atenção. A ligação e a fidelidade do Boxer para com seu dono e seu território, sua vigilância, sua intrépida coragem como defensor e guardião, é conhecida há muito tempo. Dócil no meio familiar, mas desconfiado para com estranhos; de temperamento alegre e amistoso nas brincadeiras, mas terrível quando desempenha uma missão. Sua docilidade, energia e coragem, sua mordacidade natural e a acuidade de seu olfato o tornan um cão fácil de educar e de induzir. É igualmente agradável por suas exigências mínimas, territorialidade e tradição como o cão de guarda, de defesa e de serviço. De caráter franco, não reserva espaço para a falsidade ou traições, mesmo em idade avançada.

Por que Boxer?

O hábito de levantar as patas dianteiras e movimentá-las como se estivessem dando socos no ar - muito comum nos exemplares desta raça - provavelmente tenha originado o nome Boxer, que em inglês significa boxeador.

Exemplares Brancos
O Boxer branco não é aceito pelo padrão oficial da raça, embora seja comum o nascimento de animais brancos em uma ninhada. Vale frisar que eles não são considerados albinos e possuem o mesmo temperamento dos animais de cores.

O Início da Raça Boxer na Alemanha
*Por Jayme Martinelli

Muitos historiadores da raça acreditam que o Boxer descende dos duros e sólidos cães caçadores alemães: o pesado Danzinger Bullenbeisser (mordedor de bois) e do pequeno Brabenter Bullenbeisser, ambos já extintos. Estes tenazes cães eram usados para caçar gamos, ursos e porcos selvagens em densas florestas. Criados por camponeses, eram presenteados a aristocracia em grande número, pois as perdas sofridas em cada caçada eram muito grandes.

Os cães eram descritos como castanhos de coloração com máscara preta e outros como fulvos ou malhados. Estes cães eram descendentes de Sampacker, um cão conhecido por capturar ursos e touros. A cabeça, de constituição forte e robusta era maciça com dentes grandes e orelhas eretas.

Em 1880 e começo de 1890 não havia Boxer, apenas o Boxl ou Boxel. Os adjetivos usados para descrever estes cães não eram muito lisonjeiros, todos querendo dizer mestiços ou vadios. O Boxer chegou em 1894. Na Alemanha ele nunca mais seria chamado de Boxl ou Boxel. Um Boxer Club foi oficialmente fundado em fevereiro de 1895 e foram impostas condições para o registro no Stud Book (livro de registro) do Boxer Club.


Uma classe para julgamento dos Boxers foi criada no terceiro show do St. Bernard Club, em Munich, no ano de 1895, e foram instituídas condições para registro no Stud Book do Boxer Club. Com a fundação do Boxer Club nasceu um interesse histórico pela raça Boxer. Foi realizada em 29 de Março de 1896 a primeira Exposição de Boxer, com 50 cães inscritos. O Bulldogue Tom, do Dr. Toenniessen, acasalou a fêmea branca, Ch Blanka V. Angertor. Ela era mãe de Meta V. der Passage (parti color), a qual aparece em diversos pedigrees dos Boxers do passado. Em 1910, o Ch. Rolf Von Volgelsberg que vem desta linhagem foi adquirido por Philip Stockmann, conhecido como "o pai do Boxer moderno".

Durante a próxima década, o Boxer se desenvolveu rapidamente e ganhou popularidade na Alemanha e em outras partes da Europa. De fato, alguns dos melhores Boxers da época estavam sendo criados na Holanda. Quando eclodiu a primeira guerra mundial em 1914, Boxers foram recrutados na Alemanha como mensageiros e cães carteiros.

Um cão que sobreviveu à guerra foi o Ch. Rolf Von Volgelsberg, um exemplar Tigrado tido como um dos pilares da raça. Ele retornou dos campos de batalha e com a idade de 11 anos ganhou novamente o título de Sieger (campeão), estabelecendo um recorde por todos os tempos. Ele era de propriedade da famosa criadora e escultora Friederun Stockmann e seu marido Philip.

Em 1919, o Ministério do Reich, Departamento da Chefia do Exército, decidiu reconhecer o Boxer como a quinta raça de cães de trabalho e admitiram os Boxers na Escola Estadual para treinamento de cães. Em 1925, o Boxer também se tornou cão guia de cego, trabalho para o qual é ainda usado.

Cinco cães podem ser considerados os ancestrais do boxer moderno: Flock St. Salvador, Meta Von der Passage, Mirzl, Wotan e Bosco Immergrun. Meta, a "mãe da Raça", foi acasalada por Piccolo Von Angertor (branco), um irmão de Mirzl (castanho-avermelhado), filho da Ch. Blanka Von Angertor (branca), filha de um Bulldogue branco. Um de seus filhos foi o grande Ch. Gigerl, um cão tigrado que fez muito pelos cães desta cor.


*Jayme Martinelli é proprietário do Pent Kennel's e Juiz de Exposições Caninas.
Colaborou Para Esta Matéria:

Pent Kennel's
Boxer, Dobermann e Fox Terrier Pêlo Liso de Alta Linhagem
Rua Novo Horizonte, 19 - Jardim Guiomar
Carapicuíba - SP
Tel.: (11) 4187-2441
 
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