Cães e Pacientes Imunocomprometidos
Por M.V. Msc. Alida A. C. Gerger*

Há muito já se sabe os benefícios psicológicos, fisiológicos e sociais do convívio entre animais e pessoas com problemas de saúde, compensando limitações de deficientes físicos, aliviando depressão e solidão, facilitando relacionamento interpessoal, gerando efeitos de diminuição em pressão arterial e freqüência cardíaca, melhorando humor, aprendizado e desenvolvimento emocional, enfim, melhorando a qualidade de vida.

E o que dizer do risco de doenças com a exposição de pacientes com algum grau de imunocomprometimento convivendo com cães? Estudos afirmam que tomando os cuidados adequados, pessoas com imunossupressão que têm animais de estimação têm a mesma probabilidade de adquirir zoonoses do que as imunossuprimidas que não possuem cães ou gatos.

No entanto essa convivência deve ser acompanhada de perto, tanto do médico humano do paciente, quanto do médico veterinário do cão. O ideal é que se forme uma parceria entre os dois médicos, os dois muito conscientizados da importância do animal de estimação na amenização dos efeitos negativos de eventos do cotidiano, como também conscientizados e preparados para orientar os cuidados necessários de prevenção das zoonoses potenciais.

Como preparar o cão?

De uma forma geral, o cão deve ser examinado completamente e mais profundamente, isto é, mesmo que não aparente sintomas, para todas as doenças de potencial risco zoonótico, como:

  • Doenças do aparelho digestório como Salmonelose, Campilobacteriose, Criptosporidiose e Giardíase: Numa primeira visita ao clínico veterinário deve ser feito exames de fezes simples e específicos e após resultado, tratar o que for necessário e então, manter com a vermifugação mensalmente; Exames de fezes devem ser feitos semestralmente; Qualquer episódio de diarréia no cão requer imediata consulta veterinária.
  • Doenças de pele como fungos ou sarnas: deve ser feita inspeção periódica, exames complementares e tratamentos se necessário;
  • Dirofilariose (verme do coração): os cães devem ser testados e mantidos em tratamento preventivo constante.
  • Conhecer ciclo, prevenção e cuidados para Tuberculose e Hidatidose.
  • Quanto ao esquema de vacinação deve-se evitar vacinar o cão com vacinas do tipo "agente vivo modificado" como Bordetella de algumas  vacinas para gripe canina.
  • anter controle mensal de vermifugação e ectoparasitas (pulgas e carrapatos).

E Atenção!  O menor sinal de doença deve ser tratado como emergência!

Higiêne e Cuidados: Para lembrar sempre

Visto a preparação clínica acima, o cão pode manter sua rotina habitual de banhos e escovação da pelagem, limpeza periódica das orelhas, escovação de dentes, tudo o que for manejo de asseio que o manterá saudável e inspecionado frequentemente.

Muito importante é o paciente imunocomprometido manter cuidados higiênicos, como: lavar as mãos após manipular os animais e seus alimentos; utilizar luvas e lavar as mãos após manipular fezes, vômito ou urina; limpeza diária do local do banheiro do animal, de preferência por pessoa sem imunocomprometimento, desinfetando periodicamente com água fervendo e/ou água sanitária.

Cuidados com alimentação e hábitos dos animais também devem ser observados e evitados: não oferecer alimentos crus aos animais, não permitir que beba água em vaso sanitário, não permitir que mexa no lixo, não permitir coprofagia e não permitir a caça.

Um cão que sabe se portar se torna mais que um animal seguro, se torna um melhor amigo essencial

Um cão que fará companhia para um paciente imunossuprimido deve ser desencorajado a pular e brincar de morder pois isso aumenta o risco infecções e acidentes. Aprender a fazer as necessidades no local certo ajudará a manter a higiene. Através de adestramento é possível ensinar o novo proprietário a se comunicar de uma forma eficiente evitando os riscos. O cão deve ser capaz de respeitar limites. Deve entender que em muitos momentos seu dono precisará dele ali tranqüilo e relaxado, e  a melhor forma de um cão aprender isso é aprender a “adorar” este comportamento próximo ao seu dono, criando uma relação de total cumplicidade.
O acompanhamento de um adestrador poderá facilitar muito este aprendizado, e se torna peça fundamental nesse processo de preparo do cão para o paciente, uma vez que ensinará todo o repertório de comunicação e educação para o novo proprietário.

*Alida A. C. Gerger é médica veterinária graduada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestre em Ciências pela Universidade de S. Paulo (USP), membro da American Veterinarian Society of Animal Behavior (AVSAB) e adestradora da Organização Cão Cidadão, empresa especializada em comportamento e adestramento animal.
 
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