Tanto os cães como os gatos podem transmitir doenças aos seres humanos quando freqüentam a praia. Isso porque existem milhares de microorganismos em suas fezes, que sempre são deixadas como pistas da sua presença no local, podendo prejudicar a saúde dos banhistas. “Isso ocorre porque as pessoas pisam ou sentam em locais infestados por essas fezes”- explica a médica veterinária Daniela Perez Malfatti, da Clínica Veterinária Marajoara, em São Paulo. “Os ovos do parasita são eliminados nas fezes que, com o calor e a umidade, viram larvas, que são as verdadeiras causadoras das doenças”.
Caminhos Tortuosos
Os parasitas causadores do Bicho Geográfico podem ser o Ancylostoma caninum, que está presente somente no organismo dos cachorros ou Ancylostoma braziliense, que é peculiar de cães e gatos. “Eles são capazes de penetrar na pele das pessoas, causando a doença, que só é percebida quando começam a aparecer os ‘mapas’ característicos e muita coceira”- diz a veterinária.
O Bicho Geográfico recebeu este nome exatamente por deixar este rastro sinuoso e desregulado, que deixa uma marca semelhante a um mapa e muito avermelhado. Ele também é conhecido como Dermatite Serpinginosa e não é somente na praia que pode ser transmitido, pois parquinhos de diversão, jardins e campos com areia conter as larvas, já que muitos cães e gatos também passam por lá, deixando suas ‘marcas registradas’.
Atenção Redobrada às Crianças
Não é somente o Bicho Geográfico o grande vilão da história quando se trata da permanência de cães e gatos – e suas fezes – na areia. Existe ainda uma outra doença provocada pelas fezes de animais contaminados que é muito mais séria, a Toxocariose. “Esta doença é causada pela ingestão de ovos de larvas do parasita Toxocara canis, também encontrados nas fezes de animais contaminados”- alerta a médica veterinária Daniela Malfatti. Ela atinge o ser humano, mas sobretudo as crianças que permanecem na areia e, sem perceber, levam brinquedos ou as mãos à boca.
Após a ingestão dos ovos, são liberadas larvas no intestino que passam para a corrente sangüínea e circulam pelo organismo. Como o ser humano não é o hospedeiro adequado para o parasita, as larvas não completam o ciclo evolutivo, mas podem se alojar em diversos tecidos ou órgãos, e em especial no fígado, no globo ocular ou no cérebro humano, causando lesões graves. “A Toxocariose, quando não tratada, pode levar à cegueira e danos mais desastrosos para o ser humano”- alerta.
Conscientização e Educação
dos Proprietários
Se os cães e gatos entendessem o que o ser humano fala, até poderíamos culpá-los por não contribuir com bons modos, mas como eles ainda não nos entendem perfeitamente, a responsabilidade é mesmo somente dos proprietários dos animais. O primeiro passo para que estas zoonoses deixem de ocorrer com tanta freqüência é a conscientização dos proprietários, para que não levem os animais à praia, playgrounds ou campinhos e, muito menos que deixem de recolher as fezes que eles deixam pelo caminho.
Além disso, é importante que todos tenham em casa animais sadios e longe de parasitas. Muitas vezes, mesmo tendo um tratamento VIP dentro de casa, eles podem estar contaminados. “Os animais precisam fazer exame de fezes para detectar se há contaminação pelos parasitas. Caso o exame seja positivo, o médico veterinário responsável irá ministrar o vermífugo específico para ele”- finaliza o médico veterinário Marcelo Ernesto Strejor, se referindo tanto ao Ancylostoma braziliense como para o Toxocara canis.
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